ENTENDA
Kakay critica provas em operação da Polícia Federal contra Ciro Nogueira
Advogado questiona base da investigação e debate chega ao STF
A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no caso envolvendo o Banco Master abriu debate no meio jurídico sobre o uso de mensagens de celular como base para medidas investigativas.
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que a defesa recebeu a decisão judicial com “perplexidade”. Segundo ele, a autorização das buscas teria sido baseada em informações obtidas a partir do celular de terceiros.
De acordo com o criminalista, a defesa teve acesso apenas à decisão do ministro e ainda pretende solicitar acesso integral aos autos para analisar os fundamentos da investigação e os elementos reunidos pelos investigadores.
Durante entrevista, Kakay afirmou que medidas consideradas invasivas precisam de provas adicionais além de mensagens ou delações isoladas, citando entendimentos já discutidos no STF sobre a necessidade de “corroboração externa” em investigações criminais.
A manifestação também chamou atenção de investigadores, que avaliam a possibilidade de que a defesa tente questionar a validade de provas baseadas em conversas digitais.
O tema já foi mencionado anteriormente por ministros da Corte. Em março, o ministro Gilmar Mendes comentou nas redes sociais sobre a necessidade de regulamentação específica para o tratamento de dados em investigações criminais, citando a discussão sobre uma legislação voltada à proteção de dados nessa área.
Investigadores avaliam que discussões desse tipo podem abrir espaço para questionamentos judiciais sobre provas obtidas por meio de mensagens, dependendo do entendimento que venha a ser adotado pelas cortes superiores.



